A igreja do convento da Encarnação
A igreja tem cinco capelas laterais, com três fronteiras à porta da entrada exterior; as outras duas dão para a rua. Os frontais dos altares são revestidos a azulejo branco e cor de vinho, em xadrez, com cartela rococó no centro, com referências aos oragos.Ao nível baixo, está a igreja revestida de bons azulejos. Os retábulos com duas colunas com seus torsos, que seguem em volta, estão emoldurados de boa talha dourada. Sobre os arcos, uma moldura de talha, sendo intercalada de painéis e de tribunas. Na talha trabalhou Matias R. de Carvalho entre 1688 e 1701.
O tecto é separado das paredes por uma cornija na cimalha de pedra.
O rodapé é decorado com cartela oval, flores, frutos e meninos. Painel branca. com barra de volutas e cenas da vida monástica, do início do século XVIII. Entre os arcos, painéis com cenas da vida de S. Bento.
No segundo andar, entre tribunas, cenas da vida da Virgem, padroeira do templo.
A capela-mor é separada por balaústres de madeira do Brasil, com pilares de mármore rosa. Lambris de embutidos de mármores florentinos revestem a base do retábulo e as ilhargas da capela. À esquerda, Nossa Senhora amamenta os gémeos S. Bento e Santa Escolástica, ainda meninos. À direita, S. Bento comunga na presença da Santíssima Trindade. A talha vai até à abóbada, terminando em frontão barroco, ladeado por duas grandes figuras humanas. Colunas salomónicas sobre atlantes dourados.
O arco esculturado do altar-mor, ladeado por figuras alegóricas, sentadas sobre fortes volutas, fecha com as armas da Ordem Militar de S. Bento de Aviz, sob dossel semicircular e ladeado por anjos, em volta perfeita.
Ladeiam o Sacrário, uma das mais belas e valiosas peças deste templo, ao nível dos atlantes, as imagens de S. Bento e S. Bernardo, o seu reformador. Acima, na base do trono, Nossa Senhora da Encarnação e o Anjo Anunciador.
A banqueta do altar tem seis fortes candelabros, cofre, sacrário de colunas coríntias, com cúpula e trono poligonal de prata cinzelada, que Reinaldo dos Santos supõe ser de Frederico Ludivice.
Esta capela consubstancia a igreja forrada a ouro. Centro da nave pintado por João dos Santos Ala e a abóbada é em estuque.
Frente ao altar-mor, varandim de acesso ao coro baixo destinado às religiosas. O coro alto era destinado às recolhidas, que vêem o altar-mor por três aberturas gradeadas que preenchem o tímpano da abóbada. Entre os dois coros, um S. Bento investindo as armas aos cavaleiros da Ordem de S. Bento de Aviz.
O coro alto tem um retábulo representando Jesus perante Pilatos, da escola espanhola. O coro baixo, tem cadeiral com catorze cadeiras de cada lado, em madeira preciosa, alçados em mármore, tecto pintado por Feliciano Narciso. No tímpano uma cabeça de serafim. Janelas e mísulas no tecto.
Em 1945, por decreto, foram criados os Recolhimentos da Capital: de Santos-o-Novo; das Merceeiras de El-Rei; de São Cristóvão; do Grilo; e, da Encarnação, integrados no Instituto de Assistência aos Inválidos.
Tal como na época dos conventos, os Recolhimentos destinavam-se ao mesmo tipo de senhoras – viúvas ou filhas solteiras do Exército e da Armada, e aproveitaram os conventos já existentes.
Em relação a este convento, saiu um diploma em que se afirma que neste Recolhimento apenas seriam admitidas as viúvas ou filhas solteiras de oficiais do Exército e da Armada, condecorados com a Ordem Militar de S. Bento de Aviz. Pretendendo manter a tradição conventual, celebra-se com grande solenidade o oitavário do Corpo de Deus, organizado pelas Escravas do Santíssimo Sacramento.
À Irmandade pertenceram as rainhas de Portugal, de D. Maria Francisca de Sabóia, mulher de D. Pedro, até à rainha D. Amélia, com o título de Escrava das Escravas.
Em 1947, organizou-se uma sala-museu, chamada a Sala da Infanta, onde se expunham as condecorações dos pais e dos maridos das recolhidas, além de outros objectos. Também se criou a Enfermaria da Rainha Santa Isabel, para receber as senhoras doentes, e a Casa de Santo António, para as que já não se bastavam a si próprias.
Por último, uma curiosidade que diz respeito a uma pequena casa da vizinhança, com o n.º 1 do Largo do Convento, à esquina do beco que desce para as Escadinhas da Barroca. Não é uma ruína: é uma reminiscência. Acusa um toque do final do século do terramoto e retoques posteriores, mas na sua harmonia, e até mesmo na tessitura, é um documento de raro pitoresco de Lisboa, de que os aguarelistas ainda se não lembraram.
O Convento da Encarnação das Comendadeiras de São Bento de Avis, deve a sua instituição à princesa D. Maria, filha de D. Manuel e de sua terceira mulher, D. Leonor de Áustria, irmã de Carlos V, e a D. Catarina, mulher de D. João III.
O convento é então vocacionado para: senhoras de alta linhagem (comendadeiras); limpas de sangue as moças de coro que passavam a professas; e, recolhidas, as senhoras casadas, viúvas ou filhas de militares ao serviço do rei.
A igreja é das mais belas e ricas que existem em Lisboa. É revestida de bons azulejos e avulta a talha dourada. Nos retábulos a vida de Nª Srª de S. Bento.
Em 1945, são criados os Recolhimentos da Capital e aqui ficou a sua sede. A capela está entregue à Irmandade das Escravas do Santíssimo Sacramento, instituída em 1643.
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