O Observatório Astronómico de Lisboa

Além das actividades desenvolvidas no âmbito das suas atribuições, o Observatório da Tapada sempre prestou apoio técnico e científico, quando lhe solicitado, às missões geodésicas do Ultramar e dirigiu, até à década de 1960, o estágio, na parte astronómica, dos oficiais da armada, alunos do curso de engenheiro hidrógrafo. Nos últimos anos, o Observatório instalou um centro horário constituído por alguns relógios atómicos e de quartzo, bem como todo o equipamento acessório. É-nos assim possível manter a hora com uma precisão da ordem do microssegundo.
À semelhança do que tem acontecido com outros observatórios astronómicos seculares, o Observatório está praticamente envolvido por zonas urbanizadas, devido ao desenvolvimento da cidade de Lisboa. A luminosidade da cidade, em particular da ponte sobre o Tejo e dos palácios circundantes, e a poluição da atmosfera, são bastante prejudiciais às observações astronómicas. O equipamento de que dispomos também já não satisfaz as exigências de precisão e tipo de observações que a ciência actual impõe.
A concepção do edifício do Observatório Astronómico de Lisboa baseou-se no traçado do Observatório Russo de Poulkova. A sua construção e desenho esteve a cargo do arquitecto Colson (francês), que na altura era dos mais distintos arquitectos estrangeiros residentes em Lisboa. Após o apoio financeiro e empenho que o Rei D. Pedro V dispensou a este projecto, foi iniciada a sua construção em 11 de Março de 1861, que apenas terminaria em 1867. O Observatório foi instalado nos arrabaldes da "Lisboa de Então" mas actual Tapada da Ajuda, em terrenos prontamente oferecidos por este monarca.
A cúpula principal alberga um grande telescópio equatorial refractor cuja objectiva tem 38 cm de diâmetro e uma distância focal de 7 metros. É uma estrutura móvel com rotação de 360 graus, toda trabalhada e em ferro. A construção esteve a cargo das Oficinas Navais do Alfeite
Para além do belíssimo edifício central nas colinas da Ajuda e sobranceiro ao Tejo, existem também duas pequenas cúpulas exteriores que albergam instrumentos, situadas a Sul
Para além da cúpula central existem ainda três salas de observação astronómica, devidamente equipadas com instrumentos (do melhor da época) e janelas de observação. Estão situadas nas alas Norte, Este e Oeste do edifício central.
O ambiente luxuriante da Tapada envolve agradavelmente o Observatório.
Uma das responsabilidades do OAL tem sido a manutenção da Hora Legal em Portugal. Em meados do século passado esta tarefa era exclusivamente do foro Astronómico, pois a observação rigorosa das estrelas permitia acertar os relógios de então, com precisão muito superior ao que estes possuíam. Com o advento da electrónica e de outros padrões internacionais de medição do tempo, o OAL equipou-se com relógios atómicos para desempenhar esta função.
Entrando no edifício central do Observatório Astronómico de Lisboa, encontramo-nos numa enorme nave circular, cuja abóbada ricamente trabalhada descarrega o peso do grande telescópio refractor em várias colunas de grandioso porte.
Nos arcos entre as colunas estão dispostas as muitas pêndulas que ao longo deste século de existência foram medindo o tempo. Mas aí encontram-se também arquivadas valiosíssimas publicações astronómicas, que o OAL foi recebendo de outros observatórios congéneres espalhados pelo mundo inteiro.
Pelas alas laterais da sala e próximas das grandes janelas com vista sobre a Tapada, estão as mesas largas aonde os astrónomos desenvolviam o seu trabalho de investigação.
Na ala Este do edifício existem duas salas contíguas, sendo a primeiro a que alberga os tradicionais cronómetros mecânicos e os modernos relógios atómicos. A segunda sala é de observação e encontra-se ocupada com um moderno teodolíto, utilizado para o ensino da astronomia de posição a estudantes da Engenharia Geográfica.
Os cronómetros sempre foram fundamentais para a astrometria e por isso também para os levantamentos geodésicos feitos nos territórios Africanos, ainda durante este século. É grande a variedade de cronómetros mecânicos de precisão que o OAL possui, e que patenteia o desenvolvimento tecnológico que estes instrumentos tiveram desde o final do século passado.
Na sala de observação Oeste do Observatório Astronómico de Lisboa, encontra-se a luneta meridiana (ou Círculo Meridiano), que foi muito utilizada para a determinação do tempo e de coordenadas das estrelas, com grande precisão. Foi construída no século XIX em Hamburgo pela oficina de óptica de Repsold, uma das mais afamadas na construção de instrumentos ópticos e mecânicos de precisão na Europa dessa altura.

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