74 anos a desfilar
1932 - Primeira edição das Marchas Populares. Leitão de Barros, jornalista e director do semanário ‘Notícias Ilustrado’, pintor e cineasta foi o criador da iniciativa. Participaram três marchas: Bairro Alto, Alto do Pina e Campo de Ourique. Concentraram-se na Praça da Alegria, percorreram o trajecto da Avenida da Liberdade e terminaram no Parque Mayer, realizando-se as exibições para o concurso no Salão Capitólio. A vitória coube a Campo de Ourique. O sucesso foi tal que, quinze dias depois, véspera de S. Padro, o concurso repetiu-se, agora com a participação de mais três bairros: Madragoa, Alfama e Alcântara. Venceu a Madragoa.
1934 - A autarquia chamou a si a organização do evento, integrando-o nas Festas da Cidade. Neste ano, as marchas – num total de doze – celebraram o 10 de Junho, então designado de Dia da Raça e de Camões.
1935 - Desfilam as novas marchas do Castelo, Graça, Campolide, Chelas e Santa Clara e foi introduzida uma novidade de vulto: a criação da ‘Grande Marcha de Lisboa’, obrigatoriamente cantada por todos os bairros, além das canções próprias.
1940 - Centenários da Independência (1140), da Restauração (1640) e a Exposição do Mundo Português em Belém, os bairros desfilam na Avenida da Liberdade na noite de 24 de Junho e exibem-se a 7 de Julho em Belém, dentro da Exposição. Entram mais duas marchas: Lapa e São Bento.1947 - As marchas seguem desde o Terreiro do Paço até ao Parque Eduardo VII e, pela primeira vez, exibem-se no Pavilhão dos Desportos, hoje com o nome de Carlos Lopes. O desfile versou os 800 anos da tomada da cidade aos mouros. Participou uma marcha vinda do outro lado do Tejo, a de Almada.
1950 - É o ano em que aparecem, pela primeira vez, os nomes das madrinhas: Maria Clara foi a madrinha da Madragoa; Hermínia Silva do Castelo; Irene Isidro de Benfica; Arminda Vidal da Mouraria; Leónida Mendes de Alfama; Laura Alves de Campolide; Teresa Gomes da Graça; Irene Velez de São Vicente; Ercília Costa do Bairro Alto; Maria de Lurdes Machado de Campo de Ourique e Amália Rodrigues de Alcântara. Salazar assistiu ao desfile, de uma das janelas do teatro D. Maria II.
1952 - Os pares de rapazes e raparigas dos bairros voltam a alegrar o desfile, descendo pela primeira vez a Avenida da Liberdade, em vez de a subirem como era costume. Exibem-se duas novas marchas: Bica e Beato.
1955 e 1958 - Na década de cinquenta as marchas desfilaram na Avenida em 1955 e 1958. Aparecem pela primeira vez as marchas de Marvila e Santa Catarina, bem como a Marcha Mecânica de Alvalade – trinta lambretas transportando os pares da marcha. Eles conduziam, elas sentadas atrás vestiram-se de insectos.
1963 - As marchas regressam a Lisboa. Os padrinhos de cada bairro passam a integrar o desfile. Em todos os anos que se seguem, até 1970, realizam-se concursos. Entretanto, novos bairros fazem a sua aparição: Penha de França (1965); Olivais e Carnide (1966); Sete-Rios (1966 – extra concurso). O número médio de bairros participantes é agora de quinze.
1970 - 1980 - Dez anos sem concurso de bairros. Alguns festejos tiveram marchas, mas pouco tinham de comum com as festas habituais. Em 1979, organizada pela Federação das Colectividades de Cultura e Recreio, a ‘Grande Marcha de Lisboa’ desce a Avenida.

1980 - Regresso tímido. Só concorrem dez bairros e cada um apenas com 20 pares e 10 arcos.
1981 - A exibição do concurso, que habitualmente se fazia no Pavilhão dos Desportos, acontece desta vez no Estádio do Restelo. O frio que se fez sentir e as fortes rajadas de vento mancharam as exibições.
1982-1983 - Tudo parecia novamente animar-se, mas sucedem-se quatro anos de silêncio.
1987 - Repete-se a experiência dos anos setenta e a ‘Grande Marcha de Lisboa’ volta a desfilar.
1988 - Apresenta-se, pela primeira vez, extraconcurso, a Marcha Infantil da Voz do Operário.
1990 - 2005 - São os anos noventa que trazem estabilidade ao concurso, repetindo-se todos os anos (de 1990 a 2005), sem quebras. Com a construção da Expo’98, o Pavilhão Atlântico passou a receber as exibições (2001, 2002 e 2005), mantendo-se o desfile da Avenida na noite de Santo António. O número de marchas a concurso começou por fixar-se em dezoito, passando, em 2003, para vinte. Duas marchas desfilam extraconcurso: a Marcha Infantil da Voz do Operário e a Marcha dos Mercados. Não há lugares cativos. São escolhidas as que ofecerem melhores condições.
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