A freguesia da Ameixoeira

Freguesia situada num ponto elevado, esta freguesia permite gozar um belo panorama e largos horizontes, vendo-se Odivelas, Paço do Lumiar, Póvoa de Santo Adrião, serras da Amoreira, de Caneças, Montachique e muito mais. Conhecida até ao século XVII por “Mixoeira”, denominou-se também “Ameijoeira” e “Funchal”. Pinho Leal radica a designação de “Mixoeira” no nome de um mouro Mixio ou Mixo, e Júlio de Castilho, num estudo a que procedeu sobre este lugar, faz derivar o nome de “Ameijoeira” da grande quantidade de amêijoas fósseis que no sítio apareciam, dizendo que “estes cerros são certamente a sublevação metafórica de bancos submarinos”. A designação de “Funchal” é atribuída, por ambos, ao facto duma velha tradição dizer ter sido achada a imagem do orago num funchal, donde lhe proveio o título de Nossa Senhora do Funchal, título conservado, segundo o “Santuário Mariano”, até 1541, ano em que se trocou pelo actual.
Desde os tempos pré-históricos que se verificou a ocupação humana do território que hoje integra a freguesia da Ameixoeira. Comprovam-no os diversos vestígios arqueológicos encontrados na zona, que vão do Paleolítico ao Calcolítico. Supõe-se que o Forte da Ameixoeira esteja edificado sobre um povoado Calcolítico e existem referências e achados de cistas funerárias, interpretadas como túmulos celtas na altura da sua descoberta. A presença romana está documentada através de uma ara ou cipo, encontrada em 1720 na Várzea de Santa Suzana e que apresentava uma inscrição provavelmente do século III. Do período muçulmano ficaram alguns vestígios - As “covas”, tulhas ou silos subterrâneos - e diversas reminiscências lendárias, como a do mouro Mixo ou Amixo ter fundado a povoação e a da batalha travada entre muros e cristãos e de como estes encontraram a imagem de Nossa Senhora escondida num funchal.
Quando, em 1147, se verificou a conquista de Lisboa, existiria já a Ameixoeira, então com o nome latino de “Muchinis”, conforme afirma Ruy de Azevedo que encontrou um documento com esta referência toponímica, datável de 1147 a 1166. No século XIII aparecem documentos de 1278 e 1286 referentes a propriedades agrícolas da igreja de Santa Marinha situadas no lugar de “Moyxoeira”. O século XIV é pródigo em documentação sobre doações, transacções e possessões das terras da freguesia. Em 1326, o Mosteiro de Santos arrenda uma herdade a Judas Carvalho. Em 1346, Maria Esteves deixa três courelas de vinha à igreja de Santo André. Em 1361, Catarina Anes doa uma herdade ao Mosteiro de Santos. Pelos finais do século XIV, o nobre Fernão Martins Coutinho possuía diversos bens na “Moxoeira”, Azinhaga de Santa Suzana, Quinta da Torre e no caminho para as Areias. Há também notícia, nesse período, de um companheiro de armas de D. João I, chamado “Fernão Gonçalves da Moxoeira”.
No século XV, a Ameixoeira tinha já uma relativa importância e havia no lugar uma albergaria para pobres e peregrinos. No início do século XVI, a Ameixoeira procurava constituir freguesia própria, separando-se do Lumiar, de que era anexa desde 1266. Em 1535, o capelão de Nossa Senhora da Ameixoeira foi autorizado, através de um breve papal, a administrar os sacramentos. Seguiram-se bulas de confirmação, em 1536 e 1539, mas o processo de desanexação só ficou concluído em 16 de Outubro de 1541, com a criação da freguesia, sob a invocação de Nossa Senhora da Encarnação. Será interessante referir que o registo paroquial mais antigo do concelho de Lisboa é precisamente da igreja de Ameixoeira e data de 1540, altura em que a freguesia ainda não estava completamente desvinculada do Lumiar.
No século XVI estavam aqui estabelecidos diversos nobres em suas quintas. No decurso do século seguinte surgiram novas quintas e foram edificadas várias ermidas. Em 1660, foi construída a Fonte da Torrinha, com a sua mãe-d’água. De 1664 a 1681, efectuaram-se grandes obras na igreja, sendo-lhe acrescentada a capela-mor e pintados os painéis do tecto por Bento Coelho da Silveira. O terramoto de 1755 provocou grandes estragos materiais, tanto na igreja como nas casas e quintas da freguesia, pelo que, em 1760, a reconstrução ainda continuava.
Uma visita à Ameixoeira é, no dizer de Fernando António de Almeida, uma oportunidade de recuar no tempo e descobrir o local preferido pelos lisboetas de oitocentos para sangrentos duelos de honra. Entrando na Estrada da Ameixoeira vê-se à direita o Jardim da Ameixoeira, cujo verde alegra o conjunto edificado. O sítio ainda apresenta vestígios do ambiente castiço, com larguinhos e quintas.
À entrada da freguesia situa-se a revivalista Quinta de Santa Clara e seus jardins, algo desfigurada por construções recentes. Junto da quinta, a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, do século XVI, posteriormente alterada. O tecto é de caixotões com pinturas, o púlpito em talha dourada barroca e os azulejos oitocentistas.
Chega depois o Largo do Ministro com as suas curiosas casinhas e a Academia de Música de Sta. Cecília, instalada no antigo Palácio do Conde de Sobral Garcia, do séc. XIX. Saindo do largo e continuando em frente, alcança-se a Quinta de Sant’Ana, também conhecida como Palácio Trancoso, datado de finais do séc. XVI. No interior do pátio, um painel de azulejos com cercadura representa Santa Ana. Foi aí que, em 9 de Junho de 1926, se instalou o quartel general do 4.º destacamento de contingentes da 2.ª e 3.ª div. militares, sob o comando do major Verdades de Miranda, quando do movimento militar comandado pelo Gen. Gomes da Costa. Na Rua Direita da Ameixoeira há uma casa com balaústre em platibanda, portal com arco abaulado e fachada com azulejos bicolores. Em frente, o Largo do Terreiro, encontra-se rodeado pelas construções mais antigas da freguesia.
A Ameixoeira, é pois uma freguesia citadina, com sabor a ruralidade, característica essa que lhe é dada pelos amplos parques verdes que ainda a circundam, principalmente a Este e a Norte. Está dividida em várias zonas: a torrinha, desvio, núcleo histórico, parte das galinheiras, alto do chapeleiro, quinta das lavadeiras, Santa Clara e as novas zonas incluidas na Alta de Lisboa.
Do património da Ameixoeira, cujo orago é Nossa Senhora da Encarnação, fazem parte a Igreja matriz, Quinta e Palácio do Ministro, Quintas de Santa Clara, Santa Anna, Santo André, N.ª Sr.ª do Carmo, Loureiro, Santo António e Castelhana, Casal de N.ª Sr.ª da Saúde e porta gótica na Azinhaga da Cidade, os Jardins da Ameixoeira e de Santa Clara e as colectividades como a Academia de Santa Cecília, Clube Recr. Ameixoeirense, Grupo Recr. Inter do Desvio, Sport União da Torrinha, Juventude de Atletismo das Galinheiras (outras Instituições) Instituto Superior de Gestão, Centro Social e Paroquial da Ameixoeira, Academia de Música de Santa Cecília e Cottolengo do Padre Alegre.

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