Museu Rafael Bordalo Pinheiro

No Campo Grande n.° 382, encontra-se o Museu Rafael Bordalo Pinheiro. É um dos três museus municipais (os outros são os da Cidade e o de Santo António, próximo da Sé) e está instalado numa vivenda (Álvaro Machado, 1914), doada à Câmara por Cruz de Magalhães, grande admirador do artista. Reúne uma magnífica colecção de obras de Rafael Bordalo Pinheiro.
O Museu tem origem na importante colecção bordaliana reunida pelo poeta e panfletário republicano Cruz Magalhães, grande admirador da obra de Bordalo, que em 1913, encomenda o projecto para a moradia do Campo Grande, iniciando aí a instalação da colecção.O Museu abre ao público em 1916, ainda confinado ao primeiro andar, mas em 1922 havia já sofrido remodelações, designadamente a criação de novas salas expositivas. Nesta data era já significativo o número de actividades de divulgação da obra do artista, entre exposições temporárias temáticas, conferências, criação do Grupo de Amigos Defensores do Museu e iniciativas para legar o museu ao Município de Lisboa, ideia que o fundador do museu acalentava desde a sua criação e que se veio a concretizar em 1924.
Reabre em 1926, já na posse da Câmara Municipal de Lisboa, remodelado e ampliado ao rés-do-chão, oferecendo ao público, para além da obra gráfica, uma importante colecção de cerâmica e uma biblioteca, a que se sucedem novas incorporações fruto de aquisições e de doações de obras até então na posse de familiares de Bordalo e de coleccionadores particulares.A morte do fundador do museu, em 1928 deixando a Julieta Ferrão a direcção e ao Grupo de Amigos Defensores o papel de promoção da obra bordaliana, dita definitivamente a efectiva tutela desta instituição museológica por parte do Município de Lisboa. Em 1942, o Museu é integrado no Serviço de Museus, então criado, e em 1962 passa a ser gerido em conjunto com o Museu da Cidade e com o Museu Antoniano.
A construção, em 1992, de um edifício construído de raiz na zona posterior do edifício do museu, constituiu uma tentativa de colmatar os problemas de exiguidade de espaço da moradia, permitindo a realização de exposições temporárias, relacionadas com a obra bordaliana, e deixando à exposição permanente o seu carácter monográfico e biográfico centrado na figura de Rafael Bordalo Pinheiro. Em 1999, o museu sofre graves problemas estruturais, devido à construção de um edifício em terrenos contíguos, tendo que encerrar para obras de consolidação.Reabre ao público em 2005, após intervenção global de reabilitação e valorização de todo o conjunto edificado e área envolvente, com um novo programa museológico, baseado na actualização da investigação realizada. Os suportes expositivos foram concebidos de forma a permitir a rotatividade da colecção, habilitando assim a renovação cíclica da exposição permanente e simultaneamente a divulgação deste vasto acervo ao público.
O Museu Bordalo Pinheiro reúne a mais completa colecção bordaliana: 1200 peças de cerâmica; 3500 exemplares de gravura; 3000 originais, entre desenho e pintura; 900 fotografias de época; mais de 3000 publicações; um significativo acervo documental composto pelo espólio privado de Cruz Magalhães e do Grupo de Amigos relacionado com a história da constituição da colecção e da fundação do Museu, e pelo de Julieta Ferrão, primeira directora da instituição.
Há de tudo, desde a pintura, escultura, litografia e cerâmica, aos esboços para cenários e vestuário teatral e caricaturas sem conta, além de uma biblioteca com a totalidade das obras jornalísticas, históricas românticas que o grande Rafael ilustrou.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Red Bull Air Race vai realizar prova em Lisboa

Carlos do Carmo canta Ary dos Santos

Lisboa terá Plano Ambiental até final do ano