Gaiteiros de Lisboa: As raízes da música nacional vibraram no CCB

Os sons dos Gaiteiros de Lisboa encheram o Grande Auditório do CCB na noite de terça-feira. A fadista Mafalda Arnauth, o violonista Manuel Rocha e Pedro Carneiro, na marimba, juntaram-se aos instrumentos tradicionais e aos outros, únicos dos Gaiteiros, num concerto vibrante para a apresentação do CD «Sátiro»... apesar do título ainda não estar disponível nas lojas.
Uma sala quase cheia deu as boas vindas aos Gaiteiros numa noite que seria de comemoração pelo nascimento do quarto álbum de originais, entretanto adiado para a próxima semana. «Sátiro» só se fez ouvir, no entanto, depois de uma breve viagem pelos anteriores trabalhos. O público dançou ao som de temas bem conhecidos como «Leva Leva» e «Se eu soubesse», e cantou em conjunto com os músicos «La Sarandilheira».
Ia já o concerto adiantado quando os primeiros acordes de novo CD se fizeram sentir. «Fim da picada» e «Nem fraco nem forte», poemas de Amélia Muge musicados, não decepcionaram os fãs dos Gaiteiros. As sonoridades de «Sátiro» continuaram no ar entre os temas antigos – «Xau Xau Macau» e «Por riba se ceifa o pão» fizeram mais do que um mexer - mas apenas depois do intervalo teria lugar um dos pontos altos do espectáculo. Mafalda Arnauth entrou em palco para dar voz à incursão dos Gaiteiros de Lisboa no fado. «Versos que te fiz», adaptação do poema de Florbela Epanca conquistou quem o ouviu, à semelhança de «Lusitana», versão do tema de Fausto cantada pela fadista.
E se em todo o concerto os Gaiteiros mantiveram um público arrabatado, seria a homenagem a Carlos Paredes, a adaptação de «Movimentos Perpétuos», com Pedro Carneiro na marimba, a fechar o espectáculo com chave de ouro. Um verdadeiro confronto de Titãs da percurssão, na batalha entre Pedro Carneiro e José Salgueiro tudo, desde os tambores até ao chão, passando pela cabeça de Carlos Guerreiro, serviu de instrumento musical.
Ao fim de duas horas de espectáculo, os encores não chegaram para satisfazer aqueles que queriam mais dos Gaiteiros de Lisboa. Se todos os principais títulos dos primeiros três álbuns passaram pelo palco do Grande Auditório, de «Sátiro» ficou muito por ouvir. É esperar, que saia à venda. Os mais impacientes podem seguir o conselho de Carlos Guerreiro e «levar um banquinho para esperar à porta da FNAC».

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