Palácio Monte Real / Centro Social da Sé

Palacete de finais do século 18, mantendo as suas características originais, exteriormente de grande sobriedade e interiormente decorado com pinturas murais e tectos de estuques oitocentistas, destacando-se o salão nobre com decoração "Estilo Império", com pinturas imitando os frescos de Pompeia e a sala do piso térreo com decoração ao estilo Luís XIV, com bustos, liras, coroas de louros dourados sobre painéis em madeira pintada de branco, com aplicação de espelhos. Outras salas no piso térreo têm pinturas murais, figurando elementos geométricos, vegetalistas, grifos, anjos e quadriga. A escada principal tem guarda em madeira entalhada, com decoração quadrifoliada, revivalista neo-gótica, tal como as janelas rasgadas na caixa das escadas, mas o vidro que a fecha tem já decoração arte nova e a do topo, sob a clarabóia, é neoclássica. Uma das salas do andar nobre conserva silhar de azulejos de albarradas, intercaladas com açafates, tardo-barrocos; uma outra tem decoração neorococó, com cartelas pintadas, assinadas por S. Ordoñer, envolvidas por concheados sobre as portas e o arco divisório. De modo geral, as várias salas têm tectos de estuque, decorados com flores, anjos e figuras alegóricas, integrando por vezes painéis pintados, neoclássicos, e as paredes têm pinturas figurando cenas bucólicas, paisagens com monumentos, anjos e outros. Na fachada posterior, ao centro da ala mais avançada e a um canto da outra, erguem-se alpendres quadrados de cantaria, com arcos de volta perfeita, formando ao nível do andar nobre terraço. Junto à fachada posterior desenvolve-se jardim, em plataforma sobrelevada, com cascata e canteiros, integrando espécies exóticas.
A construção data do final do Séc. 18 e a pintura decorativa das paredes interiores e decoração de tectos com estuques do sec. 19.
Em Janeiro de 1920 a Câmara Municipal de Lisboa aprova o projecto de ampliação do prédio apresentado pelo seu proprietário, Alfredo Mendes da Silva; em Abril Laura Mendes da Silva, viúva de Alfredo Mendes da Silva, apresenta um projecto de alteração ao anterior; em Novembro a proprietária apresenta um novo projecto de alterações. Já em 1921 enquanto as obras decorrem, Laura Mendes da Silva pede novas alterações ao projecto, obtendo o parecer favorável da Câmara Municipal de Lisboa e só em 1923 serão concluídas as obras do edifício. Posteriormente o imóvel foi comprado pela família Monte-Real.
Em 1955 o Serviço de Fiscalização da Intendência Geral dos Abastecimentos (Ministério da Economia) estava instalado no edifício.
Em 1962 Jorge Cardoso Pereira da Silva de Melo e Faro, Conde de Monte-Real, apresentou à Câmara Municipal de Lisboa, um projecto de remodelação do imóvel, da autoria do arquitecto Carlos Tojal, o qual não chegou a ser licenciado e em 1969 a Câmara Municipal de Lisboa adquiriu o imóvel, o qual ficou a servir de depósito dos Museus Municipais.
Em 1974 a comissão de moradores da Freguesia da Sé reclamou a posse do edifício para nele se instalarem vários serviços e o grupo de teatro amador "O Gota".
Em 1977 a Câmara Municipal de Lisboa cedeu, através de protocolo, o edifício à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que aí instalou o Centro de Dia da Sé, dividindo o espaço com o grupo de teatro "O Gota".Em 1982 deu-se a assinatura do protocolo de cedência do edifício e em 1990 a reorganização do espaço, passando o grupo de Teatro "O Gota" a ocupar apenas parte da cave, ficando o resto do edifício disponível para o Centro Social da Sé, a nova designação dos serviços.

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