Reitoria da Universidade de Lisboa / Aula Magna

Em 1911 com a reforma do ensino decretada pelo regime republicano é criada a Universidade de Lisboa.
Em 1914 a nova instituição inicia a publicação de uma revista anual, intitulada Arquivos da Universidade de Lisboa: no primeiro número, Raul Lino, autor do ex-libris da Universidade, explica a iconografia, baseada nos símbolos da cidade e do saber (um galeão e dois corvos ladeados por duas colunas).
Em 1918 o problema da insuficiência das instalações coloca-se desde logo, em especial para a Reitoria e faculdades de Letras e Direito, a ocupar por essa altura edifícios alugados ou cedidos provisoriamente: é sob o governo de Sidónio Pais que se tomam as primeiras medidas no sentido de dotar a Universidade de Lisboa de edifícios próprios, nomeando-se então uma comissão com o triplo propósito de apontar um local, elaborar um projecto e apresentar um orçamento (integram a comissão Pedro José da Cunha, reitor da Universidade de Lisboa, Queirós Veloso, director da Faculdade de Letras, Abranches Ferrão, director da Faculdade de Direito, Costa Sacadura, inspector geral da sanidade escolar, além do engenheiro Augusto Vieira da Silva e do arquitecto Raul Lino).
Em 1919 são adquiridas as quintas da Nazaré e Torrinha, ao Campo Grande, pelas faculdades de Medicina e Farmácia.
Em 1925 fez-se a apresentação na Câmara dos Deputados de uma proposta de Lei do Ministro da Instrução, que não viria a ser aprovada, onde se prevê a obtenção de um empréstimo de 30 000 000$00 para prover a instalações dos ensinos universitário e primário, estando atribuída só à Universidade de Lisboa a verba de 14 000 000$00.
Em 1930 com Caeiro da Mata no cargo de reitor, elabora-se um plano para as construções universitárias, nele se consagrando e melhor definindo algumas ideias já anteriormente abraçadas, como a da concentração de todos os edifícios num " bairro universitário " ou cidade universitária, e bem assim a da sua localização, ao Campo Grande: para uma área estimada em cerca de 80 ha e um orçamento calculado à volta 150 000 contos, o plano contempla a construção de edifícios para todas as faculdades, para um hospital escolar, para residências de estudantes e várias instalações desportivas.
Em 1932 é nomeada, de uma junta com o objectivo de conceber um plano para as construções universitárias, na linha programática defendida pela Universidade de Lisboa em 1930, embora circunscrita primeiro ao núcleo Reitoria-Letras-Direito.
Em 1934 o Governo aprova a construção de novos edifícios para a Reitoria e faculdades de Letras e Direito da Universidade de Lisboa (DL n.º 24 776, 13 Dez.), fazendo o ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, sair no ano seguinte uma portaria (9 Jan.) a nomear uma Comissão constituída por António Faria Carneiro Pacheco, vice-reitor da U. L., João da Silva Correia, director e professor da Faculdade de Letras e pelos engenheiros Fernando Galvão Jácome de Castro e Eduardo Evangelista do Carvalhal, que tinha por objectivo elaborar o programa e o projecto das novas construções: na portaria acrescenta-se que a comissão poderá nomear um arquitecto e que o ante-projecto deveria ser apresentado no prazo de três meses.
Em 1935, a Comissão Administrativa para as Novas Instalações Universitárias (CANIU) encomenda a Porfírio Pardal Monteiro o projecto.
Em 1938, depois de uma viagem conjunta a Roma e Paris com o Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, Pardal Monteiro esboça um primeiro projecto. Neste ano, entrega dos esboços para a Reitoria e faculdades de Letras e Direito, projecto que é mandado alterar para uma verba que não excedesse os 15 000 contos.
Em 1940 / 1941 situa-se em 17 000 contos o limite máximo orçamentado para a construção dos três edifícios, a esta verba obedecendo as correcções e outros pormenores exigidos aos projectos. Sendo que na década de 40, das instalações previstas para a Cidade Universitária apenas avançará o hospital escolar, ficando os demais projectos suspensos.
Em 1955 / 1956, os arquitectos Norberto Correia e João Simões elaboram um estudo prévio para um ante-plano da Cidade Universitária de Lisboa: para uma área de 162 ha e uma população escolar estimada em 10 000 estudantes, aquele estudo colocava ao lado de estruturas já existentes, todas as faculdades, residências universitárias em blocos, complexo desportivo, biblioteca e museu.
De 1952 a 1959 dá-se a conclusão dos projectos respeitantes aos edifícios a serem ocupados pelas Faculdades de Direito (1955), Letras (1957) e Reitoria (1959).
Em 1959 / 1960 construíu-se o edifício da Reitoria e em 1961 fez-se a inauguração, sendo à data reitor Marcelo Caetano.

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